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Única

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Ela não sabia dos extremos...
Vivia pelas margens de si mesma
Numa retórica improvável de incoerências.

Ela não sabia das incertezas...
Vivia de absolutas e exatas,
Esquecida de que humanos erram.

Era a protagonista de uma única fala
Onde um imenso universo de contradições
Não cabia!

Ela era o inverso de suas palavras tão rebuscadas
Uma incógnita, feita de ácidos melosos e cortantes
Como vidro perfurante e mortal.

Era o esteriótipo da garota ou me ame ou me deixe
Num complexo reflexo do que não saberia explicar.

Ela era o que achava que via de si mesma
Nem sempre santa, sem sempre perdida
Apenas uma imagem refletida,
Num inconstante buscar de si.

Era o que ninguém poderia ser
Por ser única!

É Deus...

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E eu olho para o céu
Na imensidão de uma noite estrelada
E vejo a Tua mão!

E eu olho para o mar
Num iluminado dia de verão
E sinto a Tua benção!

E em tudo que há
Tudo que eu posso sentir e tocar
Lá está a Tua Presença!

E eu toco o chão
E sinto a Terra...
Ouço os sons,
E percebo o milagre que sou!

E eu te sinto em mim!

E na imensidão do Universo
Nas constelações que nunca verei
Nos infinitos tão bonitos
Que há por aí...
Bendigo a Tua benevolência!

E não há quem possa explicar tanta perfeição!
Não há quem decifre até não haver perguntas a responder
Pois Tu És!

E na contemplação dessas bençãos
Te louvo a cada dia
Pela magnifica experiência de a Ti pertencer!
Louvado seja Tu, oh Deus!

Embriaguez

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Os meus olhos enevoados
Na embriaguez de te ver...
Para que serve a lucidez
Senão, para fazer sofrer?
Ando em passos trôpegos
Num zig e zag de não sei o quê
Bêbada, sem direção
Num desvairado descompasso
De ouvir você dizer

Vozes que não sei de onde
Surgem para me atormentar
Dizendo o que não quero ouvir
Num desiludir de não alcançar
Os passos que somem à frente
Em constantes ausências
Como num breve piscar!

Ando embriagada
Numa louca velocidade
Onde me perco em cada estrada
De braços frios como a eternidade
Num emaranhado de palavras
Que nada dizem, somente ecoam.

Num mundo líquido, entre gins...
Fujo de tudo, até de mim.
Não me deixo em qualquer esquina
Não me abandono na calçada
Bebo com a classe das meninas
Loucas, santas, vadias, cansadas
De olhos vendados.
De saias curtas
Tão verdadeiras como qualquer uma

Afogo minhas mágoas!
Todas elas...
Nesta infinita aquarela multicor
Onde não vejo ninguém
Somente você
Nas imagens distorcidas
Dos meus olhos embevecidos

E viajo em ondulações d…

Sozinhos

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Tem coisas que passamos em silêncio, sozinhos.
Num reconhecimento quase que mortal da nossa incapacidade, em não ter como mudar o que não está em nossas mãos...
Ficamos mudos.
Talvez reféns de um medo que não tem explicação.
E como explicar que os dias serão encurtados? Que nos despedimos a cada dia um pouquinho...
Nascemos sabendo qual será o final, mas nunca estamos preparados.
A sensação da inexistência é um grande castigo para quem ama a vida.
E todos nós, um dia passaremos por isto.
Não saberemos mais como é sentir o vento na pele.
Não poderemos contemplar o voo solitário do pássaro.
Não sentiremos o abraço daqueles a quem amamos e com quem convivemos.
Seremos uma lembrança nas memórias de alguém, nada mais.
E nós... nós seremos pó! Poeira cósmica em alguma parte remota do Universo!
É a tão esperada volta para casa...
E partiremos com muita saudade do que vivemos e do que nunca iremos saber como é.
Tem coisas que passamos mesmo sozinhos...
Sentimentos que nunca diremos a ninguém, …

Sob o olhar da Maturidade

A maturidade nos trás novos olhares.
Passamos a enxergar diversos pontos de vista sobre um mesmo assunto. Nem sempre sob a ótica da razoabilidade, às vezes apenas para simples constatação.
O fato é que amadurecer é em sua essência, um despertar.
Não se culpe caso perceba o quanto estava enganada sobre o que pensava ou sobre si mesma. Até porque a culpa não trará mudanças, somente um peso desnecessário.
Vale mais a reflexão do que o arrependimento.
Pela análise do que fizemos, evitamos repetir os dissabores do passado. O que somos é a soma desses erros. Num emaranhado de acertos quase despercebidos, tamanho são os dedos que sempre apontam o que não deu certo.
Houve um tempo em que viver era mais simples, onde a pessoa nascia, crescia e morria sem tantas conjecturas disto ou daquilo.
Hoje, existe uma definição científica para cada sentimento, para cada aflição e não somos mais saudáveis e felizes por isso.
Vivemos numa teia de aplicativos tecnológicos, tentando elucidar por fora o que e…

Quer Casar Comigo?

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Eu não sou um par perfeito
Não sei falar inglês
Não faço tudo que poderia fazer
Não sei dizer as coisas que você quer ouvir
Não. Não quando você talvez precise...
Falo quando sinto,
Mas sou sincera
Admiro o pôr-do-sol
Ando de mãos dadas...
Curto música!
Talvez minha especialidade não seja a sua
Mas podemos unir alguma coisa
A minha imperfeição talvez precise da sua
Nada é eterno. Eu posso melhorar!
Não faço promessas... não tenho como cumprir!
Mas eu conheço alguns atalhos...
Posso fazer você sorrir!
Posso abrigar o seu corpo num abraço
Dar os beijos que você sonhar
Acordar de conchinha e sentir o seu calor
Talvez dure...
Ou talvez haja pedras no caminho
Podemos fazer castelos... podemos construir pontes
Todas  as pedras tem utilidade
Eu não tenho grana
Não tenho mais do que eu mesma para oferecer
Talvez você esteja precisando de mim
Alguém desprovido do mundo
Com necessidades especiais
Que quer segurar a sua mão
Que deseja seguir contigo...
Quer casar comigo?

Contrato

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Nossas cláusulas nunca foram da simplicidade.
Nunca foi apenas sentir.
Sempre vivemos de extremos...
O tudo e o nada, oito ou oitenta.
Vivemos na intensidade do que sentíamos,
Entre idas e vindas, entre subidas e descidas
Entre emoções.
Nossos contratos foram rompidos e refeitos
Num cadafalso de súmulas e adendos.
Fomos reformulando para não romper.
Fizemos contratos sem testemunhas...
Rasuramos linhas inteiras, retiramos vírgulas
Fomos intransigentes e exigentes.
Nossas cláusulas eram convenientes...
Fizemos contratos sem duração que permaneceram eternizados
Éramos transgressores.
Nossas direções se fundiam e se repudiavam
Extremos inteiros de sonhos, desejos e delírios.
Talvez tenhamos errado na súmula...
Talvez tenha sido o cartório...
Aquele tabelião não estava num bom dia!
Façamos um outro contrato...
Uma única cláusula, então!
Amar e amar somente... sem tantas preliminares
Mas com as exatas!
Num arroubo maravilhoso de um beijo
Para selar o único ato válido da vida
Que é somente, …