Quando o Príncipe vira Sapo!


E no início ele mandava flores... abria a porta do carro; segurava em sua mão para descer as escadas!
Ao perguntar o que era aquele pontinho branco no céu, respondia-lhe com toda a paciência do mundo que se tratava da lua...
Era carinhoso, ouvinte, amigo! O genro perfeito, o marido ideal!
Elogiava-lhe os cabelos, a roupa, o andar, a maquiagem... nada passava despercebido!
O príncipe encantado que toda garota sonha um dia ter!
Mas, numa discussão; o primeiro tapa!
E a sensação de decepção e vergonha penetrou em seu coração...
Mas então, ele lhe trouxe flores... pediu perdão, prometeu que aquilo não aconteceria novamente!
Mas, num desentendimento ... outro tapa e pontapés!
E num pedido emocionado de desculpas, promessas de uma nova vida, de um recomeço...
E mesmo com hematomas no corpo, os olhos inchados de tanto chorar, selou-se a paz num beijo!
Porém, já não havia carinho, nem paciência, nem gentilezas...
Seu modo rude e indiferente era cada dia mais marcante!
O sexo, antes delicado, prazeroso e cheio de palavras de amor; tornou-se uma obrigação! Não havia mais juras de amor, não havia mais o êxtase!
No início ainda se mantinha as aparências... aos poucos, todos já percebiam a situação!
E com tudo, a gravidez!
Seu coração esperançoso, encheu-se de alegria... talvez tudo fosse ficar bem! Sim, pois a presença de um filho sempre ameniza o sofrimento e o coração humano!
Ledo engano!
Nem assim as agressões deixaram de acontecer...
E cada vez que seu filho mexia-se em seu ventre, com os olhos marejados de lágrimas, imaginava o lar que ele conheceria...
E lhe diziam para denunciar... para sair de casa, para esquecer aquele homem!
Mas como arrancar do peito aquele fiozinho de esperança que teimava em permanecer dentro de si? Como não escutar o seu pobre coração que lhe dizia a todo instante que tudo iria passar?
E agarrava-se a isto para suportar a dor!
Mas, outra vez os tapas, os chutes, os xingamentos... e então, o hospital! O bebê prematuro, frágil...
E ao lhe perguntarem: 'o que foi isso senhora?'
Respondeu por entre dentes quebrados: 'caí da escada!' - numa casa que escada não tinha!
E mais uma vez recebeu flores! Sim, flores com um lindo cartão... e seu coração se enterneceu e mais uma vez o perdoou!
E dias depois, novas agressões... lágrimas, dores, ossos quebrados!
Até que o silêncio perpetuou!
E mais flores ele lhe mandou... mas já não sentia seu perfume, nem via suas cores, nem saberia dizer quantos espinhos tinha!
Pois no silêncio perpétuo da morte, não havia lugar para perdão!



Escrevi este texto baseado num slide que recebi sobre a violência contra as mulheres!

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