Sem rumo certo!

Podemos cerrar o pano, fechar a janela, bater a porta! Podemos dizer mentiras, calar a alma e representar aquilo que não sentimos. Mas somos flagrados pela nossa solidão, nas lembranças daquilo que vivemos e que por egoísmo ou arrogância preferimos ignorar.

Deletar é mais fácil que assumir. É a atitude dos covardes...

Nem sempre a renúncia é uma forma de amar e sim, anulação de si mesmo e do outro!

É uma forma de acovardar-se, acomodar-se e parecer ao mundo alguém altruísta! Alguém que abdica de si mesmo em favor do outro... será?

Ou apenas abdicamos daquilo que não sabemos como cuidar? Daquilo que fica pulsante, frenético, urgente! Aquele sentimento que faz o coração acelerar, as mãos tremerem, a boca ressecar.

Encerramos a história, mas não conseguimos conter a memória...

E a noite é carrasca! É na madrugada que as lembranças se fazem presentes... é como se pudéssemos sentir a respiração alheia, o calor do corpo, o som da voz.

Mutilamos nossas sensações imediatas, mas não calamos verdadeiramente o que sentimos. E por castigo, tudo nos faz lembrar o outro, sempre! Seja um dia ensolarado ou chuvoso; seja uma música que teima em permanecer em nossa mente! E a canção nem é tão bonita assim... mas somos levados a lembrar de algo a respeito.

O perfume, o andar, a alegria, a lágrima, o olhar...

Findamos uma história sem sequer saber o final. Ficamos com a sensação do que poderia ter sido, de como poderia ter vivido, não fossem nossas tolas inseguranças...

E preferimos a segurança que meras lembranças podem nos dar, do que a dor lasciva e pungente que um amor proporciona! Preferimos terrenos seguros, sem pontes, sem ameaças do que a quimera dos amantes inconsequentes e vívidos.

Mas nos afogamos em amarguras... dores, solidões!

Todo covarde reveste-se numa aura de comodismo conveniente! É desculpável o que não tem desculpa; é válido o que não tem validade!

Não deixamos de amar, apenas não vivenciamos o amor...

Somos traídos pelo nosso EU o tempo todo. Mesmo quando estamos sem rumo certo!

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