O DIA CHOVE

O dia chove, como se chorasse a minha perda e saudades de você!
É como se os céus lamentassem... os dias são tão tristes!
Falta o teu olhar sobre mim, guardião dos meus passos...
Aquele jeito doce e protetor.
E quando os meus olhos choram; na verdade derramam minha solidão!
Na pretensão de expulsar esta angústia que a tua ausência me causa.
E a canção insiste em ecoar... como que espicaçando meu peito a lembrar...
teu sorriso, teu olhar, teu abraço a me embalar!
E o dia chove... ininterrupta chuva!
Molha as folhas orvalhadas... escorre na terra tão sofrida!
E meu coração se parte em mil!
Mil lembranças de nós dois... os lençóis embolados num canto, a paz, os ruídos, o coração batendo forte...
E aquela sensação de que éramos um!
Poderia me perder na intensidade do teu olhar sobre mim...
E o calor dos teus braços está aqui... envolvendo-me ainda! Aquecendo!
E persigo aquela felicidade explosiva de quando nossos corpos se encontravam num terno abraço... quantas palavras eram esquecidas apenas por estarmos ali!
E chove o dia... e a intensidade da chuva é como a dor que me alucina de tanto que te sinto aqui! Dentro de mim... tão enraizado que jamais sairá!
E os soluços sacodem meu corpo... de dor, de saudade, de loucura...
É como o sangue que corre em minhas veias, continuamente!
Como apagar tanta paixão? Como arrancar de dentro de si aquilo que é a razão da sua existência? Como?
Enfrentaria mil tempestades por você!
Desbravaria terras inóspitas, corredeiras, geleiras; o que fosse... se assim o tivesse de volta!
Se aquela derradeira alegria retornasse!
E chove, chove... como chora meu coração!
E a natureza parece sentir tudo o que desfacela meu peito, como uma pungente adaga afiada... quase posso sentir a perfuração!
O mundo inteiro não saberia explicar o meu vazio, a minha falta de você!
Sinto-me só! Tenho medo de prosseguir sem a tua mão pra me amparar; sem os teus olhos me guiando...
Ahhh... poderia o inferno ser tão cruel?
E fecho os olhos num suspiro prolongado e me vem a tua imagem, nitida, absoluta!
E é como se você estivesse aqui.
Posso tocar o teu rosto, sentir o teu perfume, sentir os teus lábios sobre os meus...
E esta tua presença intrínseca me faz delirar!
E é como um gozo solitário e sem razão...
O dia chove... chove de saudades, chove de vazio!
E nos delíros dos meus pensamentos, reconheço minhas falhas, te peço perdão, imploro para que não vá!
Derramo minmha alma!
E hoje tu não passas de miragem para mim... como uma nuvem de fumaça que se dissipa no ar.
Restando-me a chuva a lamentar, minhas lágrimas de medo por viver sem você!
Meu chão é tão inseguro... meu mundo é tão sem lugar!
Parece que tenho espaço demais para andar...
Redemoinho de emoções, naufrágio de sentimentos...
Estou perdida, muito perdida!
Preciso desesperadamente te reencontrar... externar tudo isso.
Eu vou te entender, vou te ouvir, eu juro que irei ao seu encontro!
E outra vez o dia vai chover... a alegria do nosso encontro, a paz que tu me causas,
o amor que por ti eu sinto!
Mas por enquanto o dia chove a tua ausência em minha vida.
E as minhas lágrimas clamam a tua presença mais uma vez... apenas mais esta vez!

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