Ano vai... Ano vem!

Ano vai...ano vem... promessas que não se cumprem;desafios a conquistar. É sempre assim, não importa em que lugar do mundo estejamos.
Tudo igual.
Sempre pensamos que o ano que vai foi péssimo, cheio de adversidades.
As coisas boas ficam esquecidas... como se não tivessem existido.
Esquecemos as minúcias...as flores que desabrocharam, as que caíram, as que enfeitaram, as que nos deram ou apenas as que visualizamos.
Concentramo-nos em relatar os maus momentos, como que a exorcisá-los para os dias vindouros... como numa espécie de amuleto.
Mas, ano vai... ano vem!
E na correria dos dias, não vislumbramos a vida.
A correria é obsessiva, caótica.
Criamos uma expectativa excepcional para os dias que se aproximam e fazemos orações e súplicas por um novo amanhecer.
Esquecemos da primeira mudança... àquela que pode mudar todo o resto.
Esquecemos da mudança íntima de atitude, de vontade, de sonhos.
Não se pode mudar o mundo sem que primeiro haja uma revolução interna, única!
Somos contra isto ou aquilo, mas passamos a maior parte do tempo em conivência descarada por aquilo que nos convém.
E ano vai... e ano vem!E continuamos acreditando que quem tem que mudar são os outros!
Acreditamos no bem, mas não o exercemos!
Amamos a paz, mas somos impacientes...
Queremos mas não buscamos!
Buscamos mas não dividimos, pelo fato de que não aprendemos a multiplicar.
É fácil ser solidário, mas não sabemos como... usamos de uma solidariedade parcial, sem efeito!
É como se somente em datas assim houvessem pessoas carentes a serem saciadas...
Esquecemos dos 365 dias como se não fossem nada.
E mais um ano vai... e cremos que o próximo será diferente, e é!
Mas não conseguimos distinguir em quê!
E é tão simples... basta olhar para si mesmo.
Então percebe-se as primeiras linhas de expressão, o olhar mais opaco, o cabelo mais ralo... o andar vagaroso!
Envelhecemos a cada minuto que passa e não nos damos conta de quanto tempo desperdiçamos em busca do vento.
E os ventos são tantos que nos perdemos em pequenas tempestades de areia...
E o ano vem... exuberante, extraordinário!
Construimos castelos, rimos, choramos.
Criamos filhos, amamos netos, enterramos nossos mortos!
Fazemos parte do ciclo da vida sem que sequer nos apercebamos disso como um todo.
Viver é muito mais que abrir e fechar os olhos.
E ano que vai e ano que vem...
Viver é uma promessa divina de que teríamos deleite em cada partícula de átomo ao redor...
E a todo instante perdemos o sentido da vida...
Perdemos quando achamos que nada tem sentido!
Perdemos quando não paramos para uma reflexão mais profunda e admitimos que somos passíveis de erros!
E ano vai... ano vem!
Sem que sequer consigamos entender nossas falhas...
Buscamos perfeição, encontramos ego!
Mas façamos um trato, simples, sem pretenção.
Que neste ano que vem não sejamos mais do que somos
Apenas pessoas comuns!
Pessoas que choram, riem, pecam, gritam, xingam, gemem, adoecem, morrem, desejam, desfalecem, expiram, pó!
Apenas pó!
E nesta simples eloquência da humildade, possamos trazer para a humanidade um pouco de luz, paz e amor.
Pois ao homem de boa vontade o que lhe falta é exercitar o verbo AMAR!
Pois o amor tudo pode, tudo crê...
E não importa em que ano estamos, se ele vai ou se ele vem...
Importa apenas dar de si mesmo aos outros, como forma de compaixão.
E nos dias que nos restam deste ano que se vai podermos dizer sem culpa, sem medo:
Que sejamos felizes nos dias que vem!

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