Ter ou não Ter? Eis o Aborto!

Desde sempre, e sem uma resposta satisfatória, as pessoas se perguntam quando começa a vida humana - o que teria implicações importantes na discussão sobre aborto, métodos contraceptivos e fertilização in vitro. Alguns argumentam que, desde o momento em que o espermatozoide fecunda o óvulo - processo que dá início à gestação -, já podemos considerar que há início da vida.
Outros defendem que é preciso um coração pulsando e um cérebro funcionando, ou seja, a presença de sistema circulatório e nervoso - em torno do segundo mês de gestação -, para que o feto seja considerado um ser vivo. Entretanto, chegar a um conceito sobre vida parece impossível, porque esse debate é influenciado por valores religiosos, políticos e morais.

Aqueles que acreditam que a vida se inicia a partir do momento da união do gameta masculino com o feminino, no processo chamado de fertilização ou concepção, - incluindo Igreja Católica e pessoas contra a utilização de células tronco embrionárias - defendem que interromper a gestação em qualquer etapa é aborto, e isso inclui o uso da pílula do dia seguinte. “Fertilização é uma sequência de eventos que começa com o contato de um espermatozoide com um óvulo em sequência e termina com a fusão de seus núcleos e a união de seus cromossomos formando uma nova célula. Este óvulo fertilizado, conhecido como zigoto, é uma larga célula diploide que é o começo, o primórdio de um ser humano", defende o cientista Keith L. Moore, da Universidade de Toronto. Neste sentido, a fertilização in vitro, seria considerada inaceitável, visto que envolve a união de gametas de forma artificial fora do útero e a morte de alguns embriões.

Outra concepção sobre o início da vida humana difere da primeira “apenas em alguns dias”. De acordo com essa corrente - muito aceita por especialistas, pela população geral e pelos defensores das técnicas de reprodução assistida -, a vida se inicia apenas com a fixação do óvulo fecundado no útero - ambiente que permitirá seu crescimento e desenvolvimento -, o que ocorre por volta do sétimo ao décimo dia de gestação. Aqueles que acreditam nessa teoria aceitam a pílula do dia seguinte, pois esse método contraceptivo impede que o óvulo se fixe no útero, evitando a gravidez antes do início da vida.

Para a teoria embriológica, por sua vez, a vida começa na terceira semana de gestação, quando o embrião adquire individualidade e pode se dividir dando origem a outros indivíduos. Essa visão também permite o uso de contraceptivos como a pílula do dia seguinte. Já a teoria neurológica aplica a definição de morte para marcar o início da vida: "se a morte é o fim das ondas cerebrais, então vida é o início dessa atividade”, o que ocorreria somente após a oitava semana de gravidez.

Defesa do aborto

Apesar das diferenças em relação à quando se inicia a vida, todas essas concepções anteriores defendem que interromper a gravidez é um tipo de assassinato, pois coloca fim à vida de um ser humano. Por isso, acreditam que o aborto deve ser proibido e punido pela lei.

Por outro lado, há aqueles que sustentam que a vida começa quando o feto tem condições viver fora do útero. Para isso, é preciso que os pulmões, assim como diversos outros órgãos, estejam minimamente desenvolvidos, o que ocorre por volta da 25ª semana de gestação. Os adeptos dessa concepção, assim como aqueles que defendem que a vida humana começa quando o indivíduo nasce e se torna independente da mãe, defendem o aborto. “Impedir que a mulher decida se quer ou não ser mãe não é uma atitude sensata", disse o geneticista Walter Pinto, em publicação da Editora Abril.

Essa visão é amplamente criticada, pois, por volta do quinto e sexto mês de gestação, o bebê já está com os órgãos desenvolvidos, já está desenvolvendo os sentidos, sente dor e já reage a estímulos externos. Por isso, os críticos dessa concepção defendem que, nesse período, a vida já está praticamente “pronta” - e não no início -, sendo que o aborto configuraria interrupção da vida e, consequentemente, crime.

Por causa dessa infinidade de opiniões sobre quando começa a vida, influenciadas por valores religiosos, políticos e morais, muitos especialistas acreditam que não caberia, exclusivamente, à ciência, à política ou à religião definir essas questões do ponto de vista ético. Caberia, sim, à sociedade escolher, por exemplo, se é aceitável interromper a gestação de um embrião humano sem cérebro, ou utilizar embriões em pesquisas com células tronco. Nesse sentido, ainda haverá muito debate sobre essas questões controversas.

A Pílula do Dia Seguinte:
A contracepção de emergência deve ser utilizada quando ocorre exposição não planejada à gravidez, seja relação sexual não programada, por ruptura de preservativo; ou por estupro. A paciente deve estar consciente da existência da contracepção de emergência como método eficaz de prevenção de gravidez, mas não deve basear-se nele como um método repetitivo.
A contracepção de emergência é uma situação que requer métodos especiais. Desde o início do século XX, várias formulações à base de altas doses de estrogênios (hormônios femininos) foram usadas para prevenir a gravidez indesejada em animais e, a partir de 1963, começaram a ser realizados estudos com esses medicamentos em mulheres.

Um estudo publicado pela revista Archives of Family Medicine, em agosto de 2000, realizado pela Dr.ª Caroline Wellbery, demonstrou a importância da contracepção de emergência através de uma revisão detalhada dos principais aspectos deste assunto.

Nos Estados Unidos, menos de 1% das mulheres já fez uso de um método contraceptivo de emergência. Apesar dessa diminuta quantidade de mulheres, a contracepção de emergência se mostrou eficaz.

De acordo com dados recentes, através da utilização de um programa piloto de distribuição de contraceptivos de emergência, em farmácias em que a paciente possui acesso direto, em Washington, Estados Unidos, foram evitadas pelo menos 700 gravidezes. Destas, aproximadamente metade, terminaria em abortamentos, de acordo com estudos realizados anteriormente.
A contracepção de emergência não interrompe uma gravidez estabelecida. O mecanismo pelo qual ocorre a prevenção da gravidez não está definido. Apesar disso, diversos estudos têm demons-trado que os métodos hormonais de contracepção de emergência e o mifepristone inibem a ovulação.

A contracepção de emergência não objetiva a interrupção da gravidez, uma vez que a implantação do ovo tenha ocorrido, não obstante o método usado.

Estima-se que, se cem mulheres tiverem um único episódio de relação sexual desprotegida, sem preocupar-se com a época do ciclo menstrual, oito delas engravidarão.

Através da aprovação, pelo FDA, da contracepção de emergência, com a indicação da utilização de hormônios contraceptivos, este método provavelmente, obteve uma maior divulgação e difusão, como um meio de impedir gravidez indesejada.

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