Quando a Morte é o Conforto!

Gerar um filho é algo sublime, ou... deveria ser!
Fico me perguntando como pode uma mãe permitir atrocidades com seus filhos e até mesmo fazendo parte delas, como cúmplices e algozes.
Seriam pessoas normais? Sofreriam de algum tipo de distúrbio psicológico?
A morte da menina Ana Beatriz em São Paulo é mais um caso que choca, não somente pela brutalidade, mas também pela participação contundente da própria genitora.
A menina de treze anos era abusada sexualmente pelo padrasto e pela própria mãe que também mantinha um relacionamento homoafetivo com uma boxeadora (que confessou a autoria do crime)...
A história é macabra!
Essa menina precisava de socorro... precisava sair urgentemente daquela situação de violência sexual, emocional, social, mas apenas a morte a encontrou.
Fico imaginando sua solidão, seu sofrimento, suas noites de angústia, sabendo que um novo dia se iniciaria e que nada seria modificado.
A violência física, emocional, social, degradativa... dia após dia... num silêncio doloroso e solitário!
Onde talvez tenha se abrigado em busca de conforto em seu íntimo, já estraçalhado...
Uma infância cheia de máculas, sem alegrias, com lembranças torturantes... um início de adolescência conturbado, sem esperanças, sem a chance de vivenciar cada fase como qualquer outra menina de sua idade.
Quantas Ana Beatriz temos em nosso mundo ? Presas num silêncio cheio de medos e culpas... meninas e meninos sem identidade, cujo sofrimento carregam sozinhos.
Será que ninguém realmente percebeu a agonia dela ? Seu olhar talvez gritasse...
Será que nenhum vizinho percebeu que algo estava errado ali ?
Ou simplesmente fecharam os olhos ?
Sim, é mais fácil fazer de conta que não se vê o óbvio...
Mas até quando vamos pensar e agir que este tipo de coisa somente existe no quintal alheio ?
A mãe de Ana Beatriz ajudou a planejar e a matar a própria filha!
Entre os envolvidos neste assassinato, ela (a mãe ) é sem dúvida alguma o maior dos monstros; mas não se pode isentar aqueles que conviveram e conheceram a menina...
Professores, amigos, vizinhos... alguém sabia ou percebia que ela sofria!
O sofrimento é revelado nos olhos de qualquer ser humano...
Planejaram, mataram, ocultaram o corpo e ainda fizeram o boletim de ocorrência como que num escárnio aos investigadores... como  que contando com a impunidade.
Atearam fogo aos pertences da menina para caracterizar fuga...
Frios, sádicos e monstruosos!
E todos que de alguma forma se omitiram também o são!
A omissão é uma forma de proteger este tipo de crime hediondo. Talvez por contar com esta aliada ( a omissão) é que eles tenham conseguido dar cabo da jovem tão facilmente.
Minha atenção é toda para o sofrimento desta menina... Ana Beatriz! Treze anos... nada mais!
Não há sonhos que ela agora possa concretizar... não há também lágrimas para chorar, sejam de dor ou de alegria!
A morte foi seu conforto derradeiro!
E quantas meninas e meninos vamos tomar conhecimento? Quantos mais vão morrer desta forma por causa de nossa covardia, nosso silêncio ?
A indignação está no fato de que além desta menina não ter tido defesa, ela também não teve voz! Ninguém a ouviu, ninguém prestou atenção, ninguém se importou.
E neste momento Ana Beatriz faz parte das estatísticas de violência infanto-juvenil.
Que tipo de mãe planeja, mata, oculta o cadáver de seu próprio filho ?
Que sociedade é esta que não vê o sofrimento de uma criança, mesmo que esteja visível a olhos nús?
Somos co-partícipes, quando sabemos e ignoramos!
Somos tão responsáveis quanto os autores do crime.
Deixamos que Ana Beatriz enterrasse literalmente seus sonhos num túmulo para a eternidade...
Permitimos que seu silêncio fosse seu maior algoz!
Enquanto formos permissivos ao mal, crimes assim tendem a fazer parte do nosso dia a dia!
Precisamos redescobrir o amor... redescobrir o quanto dói no íntimo sofrer calado!
Colocarmo-nos no lugar do outro, entender a dor do outro e não permitir o avanço dela.




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