Sinto Diferente!

Eu sinto diferente!
Não vejo a olhos nus...
Não sinto com a razão...
Sinto no sangue pungente
A dor que sente esta gente
Ao andar de pés no chão!

Eu sinto diferente!
Não vejo simplesmente...
Decifro com a alma
A alma daqueles que sentem
O que é sofrer por nada
E o nada a perder desta gente!

Olhos esbugalhados, olhos de oprimidos
Gente que perde a vida, vivendo a vida somente!
Sinto sua dor criminosa
De gente que busca sentir
O prazer de ser vivo, o prazer de sorrir!

Sinto diferente...
Com a sensibilidade dos utópicos...
Com os olhos de quem chora...
Eu sinto a dor da criança que por comida, roga!

Eu vejo os pés descalços,
As mãos estendidas por pão
De milhares de miseráveis
Esquecidos, ainda que vivos,
Jogados na sarjeta, ao meio fio do chão!

Eu sinto suas noites de frio
A pele que enruga tão rápido
A incerteza, o vazio
De quem sofre calado!

Gente sem rumo, sem vida
Ainda que vivos, já condenados
 A viver somente ao largo
Do que poderia  ter tido na vida.

Gente sem nome, sem rosto, sem charme
Gente sem dente, sem riso, sem identidade
Gente que sofre por apenas saber
Que na vida se morre sozinho,
Sem dia certo, sem lamento,
Se nasce... uns ao relento
Outros no aconchego do ninho!

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