Bolsa Estupro

  • A indignação não poderia ser maior! Deputados brasileiros aprovaram no Congresso a chamada “Bolsa Estupro”.
  • Isso é mais que um retrocesso, é a expressão da insensibilidade e despreparo de nossos parlamentares. Não posso conceber que numa sociedade dita “civilizada” alguém em sã consciência possa pensar que uma mulher vá se sentir segura depois de algo deste gênero. Isto é institucionalizar o estupro, como se fosse algo a ser aceitável, como se a mulher tivesse que aceitar isto como algo normal e cabível de indenização!
  • Não há dinheiro que apague a dor, a humilhação, a revolta e ainda mais o fato de uma gravidez indesejada vinda de um ato de violência e covardia. Não há dinheiro que possa colocar este ato como algo viável de consenso.
  • O melhor auxílio que se pode dar a uma vítima de violência sexual está no amparo da Lei, com punições verdadeiras, com centros de referências onde se trate do emocional, do jurídico e familiar.
  • Isto é política pública para mulheres? É assim que resolver-se-á as terríveis estatísticas de mais de mil e quinhentos casos de estupro somente no Rio de Janeiro, no primeiro trimestre deste ano?
  • Tudo o que a nossa sociedade necessita é que haja punição severa para este tipo de crime. Medidas paliativas e eleitoreiras não preenchem mais o imaginário coletivo.
  • Precisamos de uma Lei de Execução Penal efetiva e que se faça valer. Precisamos de um sistema prisional que ressocialize aos que querem ser ressocializados. Precisamos de políticas públicas sérias e que condigam com a realidade do povo brasileiro.
  • Precisamos ver a questão da castração química, que há anos tramita no Congresso e que ninguém ousa tocar. Precisamos de ética, precisamos de sensibilidade. Pergunto-me onde estão os direitos humanos nisso...
  • Se a mulher estuprada e que em consequência deste estupro engravida e deseja ter a criança, isto é uma decisão pessoal. Um ato de sublime supremacia da mulher. Algo que pertence a ela! Assim como ao decidir pelo aborto, tem que lhe assegurar o direito de não conceber este fruto de ato tão abominável. Cabe ao Estado assegurar-lhe a vida e não lhe cercear direitos como a uma criminosa.
  • A criação do Bolsa Estupro é antes de mais nada um desrespeito a cidadania feminina! É a castração dos direitos até hoje constituídos! É o mesmo que nos colocar moralmente o selo de “Usa-me”!
  • É o retrato de um Congresso mixo e sem projetos, onde tudo o que importa é o manter-se no Poder custe o que custar, doa a quem doer. É o triste retrato de políticos politiqueiros e de uma sociedade que se omite no silêncio desconfortável da indignação.
  • Pergunto-me se teremos que recorrer às Cortes Internacionais para que assim sejamos vistas como seres humanos neste País tão diverso e de dimensões gigantescas, mas que até hoje não foi capaz de produzir cidadãos pensantes, sensíveis e éticos quando o assunto é direito feminino.
  • Não precisamos deste tipo de auxílio... não precisamos de mais dor e lágrimas e sim de soluções.
  • Precisamos de políticos com sensibilidade, comprometidos com a verdade de suas causas e que tenham verdadeiras propostas a apresentar. O proselitismo religioso não pode imperar numa chamada “democracia”. Precisamos de leis que se validem e que nos garantam segurança ao andarmos pelas ruas e calçadas de nossas cidades. Este tipo de lei somente serve para o aumento da criminalidade e da dor alheia.
  • Diante de tantas “Bolsas”, pergunto-me qual será a próxima... haja vista que temos o Bolsa Família, o Bolsa Crack e esta que parece a mais polêmica bolsa de todas: o Bolsa Estupro.
  • Teremos a frente o Bolsa Anão?

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