Mulheres do Holocausto!

Conhecer um lugar como Auschwitz não deve servir apenas para a simples observação de objetos dispostos para a admiração como em um museu, mas para se refletir sobre a capacidade do ser humano na sua autodestruição elaborada, fria, covarde e massiva.
O campo de Auschwitz não era classificado como de extermínio, por isso a câmara de gás e o crematório eram até certo ponto pequenos, se comparado aos de Birkenau.
Pouco sobrou do campo, porque antes de fugir os nazistas queimaram e explodiram o que puderam para deixar a menor quantidade de vestígios possível. Os barracões que ainda estão em pé são de madeira e bem maiores que os de Auschwitz. Os trilhos do trem traziam os prisioneiros até bem perto dos quatro crematórios e câmaras de gás gigantescos.
Durante a Segunda Guerra Mundial, os campos estavam sendo usados para dominar os grupos étnicos, compostos por judeus, ciganos,polacos, políticos anarquistas, homossexuais e minorias religiosas. Todos eles eram submetidos a tratamentos desumanos até serem exterminados.
Para terem uma noção de como essas pessoas eram tratadas, saiba que, nesses campos de concentração, elas perdiam seus nomes, eram identificadas por números, eram escravizadas, sem contar que grande parte deles eram submetidas a experimentos nazistas, uma espécie de cobaia. Não comiam, não tinham higiene, não precisavam nem ter seus corpos queimados, porque vivendo daquele jeito a morte por alguma doença, ou por fome, seria certa. Crianças, idosos e doentes, não tinham vez nos campos, ao chegarem ao local já eram destinados às câmaras de gás.
Alguns campos eram destinados apenas a mulheres, e outros tinham dentro das suas instalações áreas especialmente designadas para as prisioneiras. Em maio de 1939, as SS inauguraram Ravensbrück, o maior campo de concentração nazista para aprisionamento de mulheres. Até a libertação deste campo pelas tropas soviéticas, em 1945, estima-se que mais de 100.000 mulheres haviam sido lá encarceradas. Em 1942, as autoridades das SS construíram um complexo no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau (também conhecido como Auschwitz II) destinado a servir como  campo de prisioneiras, e entre as primeiras delas estavam as que as SS haviam transferido de Ravensbrück. Em Bergen-Belsen, no ano de 1944, as autoridades do campo construíram uma extensão feminina e, durante o último ano da Segunda Guerra Mundial, as SS para lá transferiram milhares de prisioneiras judias de Ravensbrück e Auschwitz.
Durante as deportações, as mulheres grávidas e as mães com crianças de colo eram sistematicamente classificadas como "incapacitadas para o trabalho", sendo prontamente enviadas para os centros-de-extermínio, onde os oficiais geralmente as incluíam nas primeiras fileiras de prisioneiros a serem enviados para as câmaras de gás.
Nos guetos e campos de concentração as autoridades alemãs colocavam as mulheres para trabalhar sob tais condições que não raro elas morriam enquanto executavam suas tarefas. As judias e ciganas eram sadicamente usadas pelos “médicos” e pesquisadores alemães como cobaias em experimentos de esterilização, e outras “pesquisas” cruéis e antiéticas. Nos campos e nos guetos as mulheres eram particularmente vulneráveis a espancamentos e estupros. As judias grávidas tentavam esconder a gravidez para não serem forçadas a abortar. As mulheres deportadas da Polônia e da União Soviética para fazerem trabalhos forçados eram sistematicamente espancadas, estupradas, ou forçadas a manter relações sexuais com alemães em troca de comida e outras necessidades básicas. Muitas vezes, as relações sexuais forçadas entre as trabalhadoras escravas oriundas da Iugoslávia, União Soviética ou Polônia, e homens alemães resultavam em gravidez, e se os "especialistas em raça" determinassem que a criança a nascer não possuía "genes arianos" suficientes, as mães eram forçadas a abortar, ou eram enviadas para darem à luz em maternidades improvisadas, onde as péssimas condições de higiene garantiriam a morte do recém-nascido. Outras eram expulsas para suas regiões de origem sem nenhuma comida, roupa, ou cuidados médicos.
Muitos grupos informais de "assistência mútua" foram criados dentro dos campos de concentração pelas próprias prisioneiras, as quais garantiam sua sobrevivência compartilhando informações, comida e roupas. Em geral, os membros destes grupos vinham da mesma cidade ou província, tinham o mesmo nível educacional, ou possuíam laços de família entre si. Outras sobreviveram porque as autoridades das SS as colocavam para trabalhar no conserto de roupas, na cozinha, lavanderia e na faxina.
As mulheres tiveram papel importante em várias atividades da resistência ao nazismo. Este foi o caso das mulheres que, previamente à guerra, eram membros de movimentos juvenis socialistas, comunistas ou sionistas.
Milhões de mulheres foram perseguidas e assassinadas durante o Holocausto.
Com a aproximação da ofensiva soviética, em Novembro de 1944, a polícia secreta nazista - SS - começou a dinamitar as câmaras de gás e os fornos crematórios numa tentativa de suprimir qualquer traço de genocídio. Mas o rasto do horror era demasiado profundo para ser apagado completamente.
Na libertação do campo, a 27 de Janeiro de 1945, o Exército Vermelho encontrou restos de construções macabras nunca antes vistas na história da humanidade.
Entre Janeiro e Maio de 1945, os aliados libertaram mais de 200 campos de concentração, revelando ao mundo imagens intoleráveis do inferno vivido nos campos de concentração hitlerianos.
Auschwitz e Birkenau. Dois lugares que hoje são museus e abertos todos os dias, pra que ninguém esqueça o que aconteceu lá dentro e que ainda hoje assombra seus visitantes.

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