Putrefatos!

Somos assassinados todos os dias!
Todos nós... um por um!
Morremos nas filas do SUS, na saúde pública que há anos agoniza na UTI da desmoralização e do descaso.
Morremos em cada jovem alcoolizado, pelas ditas e autorizadas drogas lícitas e ilícitas...
No crack, na maconha, na cocaína,
Dos que usam, dos que vendem e nelas enriquecem,
Dos manés e grandes chefes... aos bobos que delas dependem!
Mas, sendo droga; nenhuma presta senão ao papel que alguns querem
Que é manter a desordem na mente dos alienados
Pobres, miseráveis, imundos e desorientados!
Morremos! Morremos todos! Todos os dias...
Nas ruas e calçadas onde muitos hoje habitam, sem teto, sem vida, ignorados, invisíveis, mas todos vêem e torcem o nariz!
Madame nem olha... pobre não passa perto...
Mas somos todos "cristãos", mas ausentes de afeto.
E morremos e matamos
Nos desrespeitos cotidianos...
Nas esquinas prostituídas, onde jovens e velhas alugam a hora por qualquer trocado
Na ânsia de somente sobreviver...
Estamos mortos! Todos... Decompostos...
Putrefatos!
Na ignorância consentida da educação sucateada, formando analfabetos funcionais, delinquentes sociais, amparados por Leis que deveriam nos empoderar.
Somos assassinados todos os dias!
Todos nós, um a um...
Morremos nas enchentes, nos desvios
Nos vários atalhos do caminho
Onde até vigas se vão...
Pela covardia, pela omissão, pelos gritos e silêncios de uma sociedade hipócrita.
Que discute a sexualidade de modo muito exacerbado, num proselitismo religioso discriminador e preconceituoso...
Morremos aos poucos em doses homeopáticas, nos escândalos financeiros, nas desculpas esfarrapadas, na pobreza de cada cidadão.
Na falta do leite pro filho, na falta do pedaço de pão!
Somos todos assassinados! E assassinos  por ocasião
Por calar e deixar solto o principal vilão
E estamos todos expostos, corpos estirados no chão...
Na burocracia de tantos carimbos, nas guias e idas e vindas sem solução.
Morremos de ansiedade, de agonia, de desesperança e ilusão!
Nas centenas de placas de candidatos, que há anos vivem de sugar o governo
Nas carreatas festivas, nas promessas não cumpridas de anos e anos de mandatos...
E entra ano, sai ano, lá vem todos eles com seus santinhos nas mãos!
Assassinando sonhos, atropelando a todos!
E aceitamos a morte como quem bebe da vida, sem perceber a manipulação!
Todos os dias... um a um, morremos um pouco na mão destes loucos.
Que sentam em gabinetes, andam de vidro fechado, em lindos carros importados, sem olhar sequer pro lado! Numa vida de rei, luxo e ostentação!
Morremos de tiros, balas achadas e perdidas!
Morremos na violência urbana, doméstica, banal.
Nos becos e vielas, nas estradas e favelas, um grande funeral
De uma sociedade inteira, afundada num lamaçal.
Onde uns pregam o ódio enrustido num discurso enganador
Que promete um reino encantado, mas oferece apenas dor!
E morremos todos!
Num golpe sutil, mas descarado de um Estado dito "Laico"; mas opressor!

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