Sobre Desapego.

Desapegar-se...
Deixar de sofrer por aquilo que não existe mais.
Permitir-se seguir sozinho, passo a passo...
Não é fácil!
Levamos dentro de nós todas as lembranças; tudo o que não deveríamos carregar, mas que insiste permanecer ali... ao alcance de qualquer pensamento.
Somos masoquistas? Talvez!
Mas como desapegar-se do que mais se ama na vida?
Conseguimos caminhar sem bagagens, mas não temos como nos desvencilhar das imagens registradas na mente...
Essas, retornam aleatórias, independentemente de nossa vontade.
Amigas inseparáveis de momentos bons e ruins... sarcásticas!
Zombam de nós... estilhaçam nossos sentimentos.
Ah, saudade danada!
Principalmente de quando tudo parecia girar em torno do nosso umbigo...
Ledo engano! Somos apenas um instrumento para que outros possam seguir em frente...
Este desatar de nós nem sempre constitui serenidade.
Sentimo-nos revirados, deixados de lado, bagunçados de ponta a cabeça, perdidos...
Como que numa estrada cheia de neblina... nada faz muito sentido, então!
Os laços se desfazem... rompem-se... mas permanecem nas entranhas da alma.
Dias tão difíceis, dias tão lindos, dias e dias e dias...
Coisas que não se apagam da nossa existência, experiências.
O desapego se faz necessário... parar de sofrer, deixar ir!
Seguir adiante sem medo, mesmo que isto signifique ter medo...
Complicado, inexplicável, mas acaba acontecendo.
Faz parte da vida dar fim aos capítulos, encerrar as histórias
E um dia todos nós não seremos mais que memórias!
Uma foto estampada na parede, um comentário saudoso de alguém.
O fato é que cada um segue aquilo a que veio cumprir, mesmo acreditando que está fazendo as suas próprias escolhas...
Tudo nada mais é do que seguir o roteiro já definido no Universo.
As curvas, as esquinas, os sobe e desce da vida, as rotinas... tudo parte de um só script de Deus.
Nada nos pertence, sequer nós mesmos!
E desapegar-se é nada mais nada menos que libertar-se!
Deixar-se ir sem arrependimentos, descondicionar-se...
Entender que tudo que nos pertence de fato são as nossas vivências.
Não há como evitar o destino final nesta viagem... mais cedo ou mais tarde iremos chegar onde temos que estar...
E o que fizemos daquilo que vivemos será o resultado das somas e multiplicações... das inúmeras divisões e diminuições... atitudes e receios, prantos e recomeços, num truncado emaranhado chamado crescimento.
Desapegar-se... deixar-se ir... entender que nada segue curso contrário ao que deve ser seguido.
Na verdade o desapego nada mais é do que se permitir... não deixamos que os outros sigam, apenas nós seguimos adiante!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O Homem morre quando deixa de Sonhar!

Sobre Abraços...