Suicídio e Depressão, Tudo a Ver!

O suicídio é considerado pelo Ministério da Saúde como um problema de saúde pública, tirando a vida de uma pessoa por hora no Brasil, mesmo período no qual outras três tentaram se matar sem sucesso.
Trata-se de um problema que se pode prevenir na grande maioria das vezes e esse é um dos maiores desafios. O estudo e a discussão do tema suicídio é uma das formas mais eficientes de se promover a prevenção, pois esta só é possível quando a população, os profissionais da saúde, os jornalistas e governantes têm informações suficientes para conduzir as medidas adequadas e ao seu alcance nessa frente.
O comportamento suicida vem ganhando impulso em termos numéricos e, principalmente, de impacto, como podemos ver pelos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS):
• Na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte.
• Nos últimos 45 anos, a mortalidade global por suicídio vem migrando em participação percentual do grupo dos mais idosos para o de indivíduos mais jovens (15 a 45 anos).
• Em indivíduos entre 15 e 44 anos, o suicídio é a sexta causa de incapacitação.
• Para cada suicídio há, em média, 5 ou 6 pessoas próximas ao falecido que sofrem conseqüências emocionais, sociais e econômicas.
• 1,4% do ônus global ocasionado por doenças no ano 2002 foi devido a tentativas de suicídio, e estima-se que chegará a 2,4% em 2020.
• O Brasil encontra-se no grupo de países com taxas baixas de suicídio.
• No entanto, como se trata de um país populoso, está entre os dez países com maiores números absolutos de suicídio (7.987 em 2004).
Os registros oficiais sobre tentativas de suicídio são mais escassos e menos confiáveis do que os de suicídio. Estima-se que o número de tentativas de suicídio supere o número de suicídios em pelo menos dez vezes.
Os estudos têm demonstrado que indivíduos que padecem de esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo ou transtorno afetivo bipolar possuem maior risco para suicídio.
Os principais fatores de risco para o suicídio são:
• história de tentativa de suicídio;
• transtorno mental.
A depressão é um grande potencializador do pensamento suicida.
• Acomete, ao longo da vida, entre 10% e 25% das mulheres e entre 5% e 12% dos homens.
• Quanto mais precoce o tratamento, mais rápida a remissão e menor a chance de cronificação.
• Entre os gravemente deprimidos, 15% se suicidam.
• Cerca de 2/3 das pessoas tratadas respondem satisfatoriamente ao primeiro antidepressivo prescrito.
Os sintomas a seguir têm de estar presentes há mais de duas semanas, trazer sofrimento significativo, alterar a vida social, afetiva ou laboral do indivíduo e não serem por causa de um luto recente.
• sentir-se triste, durante a maior parte do dia, quase todos os dias;
• perder o prazer ou o interesse em atividades rotineiras (anedonia);
• irritabilidade (pode substituir o humor deprimido em crianças e adolescentes);
• desesperança;
• queda da libido;
• perder peso ou ganhar peso (não estando em dieta);
• dormir demais ou de menos, ou acordar muito cedo;
• sentir-se cansado e fraco o tempo todo, sem energia;
• sentir-se inútil, culpado, um peso para os outros;
• sentir-se ansioso;
• sentir dificuldade em concentrar-se, tomar decisões e dificuldade de memória;
• ter pensamentos freqüentes de morte e suicídio.
Etapas do tratamento da depressão
• Aproximadamente ⅔ das pessoas com episódio depressivo melhoram com o primeiro antidepressivo.
• Em geral, há demora de cerca de duas semanas para início de ação dos antidepressivos.
• São necessárias, aproximadamente, oito semanas para retorno ao humor de antes da depressão.
• É fundamental, após a remissão dos sintomas, a continuidade do tratamento na fase de manutenção.
• O tratamento completo tem duração mínima de seis meses, a partir da remissão completa dos sintomas.
• Quando há recorrência da depressão, quando a intensidade é grave ou em caso de idade avançada, o tratamento mínimo vai de dois anos até o resto da vida, em alguns
casos. 
Existem três características próprias do estado em que se encontra a maioria das pessoas sob risco de suicídio:
1. Ambivalência: é atitude interna característica das pessoas que pensam em ou que tentam o suicídio. Quase sempre querem ao mesmo tempo alcançar a morte, mas também viver. O predomínio do desejo de vida sobre o desejo de morte é o fator que possibilita a prevenção do suicídio. Muitas pessoas em risco de suicídio estão com problemas em suas vidas e ficam nesta luta interna entre os desejos de viver e de acabar com a dor psíquica. Se for dado apoio emocional e o desejo de viver aumentar, o risco de suicídio diminuirá.
2. Impulsividade: o suicídio pode ser também um ato impulsivo. Como qualquer outro impulso, o impulso de cometer suicídio pode ser transitório e durar alguns minutos ou horas. Normalmente, é desencadeado por eventos negativos do dia-a-dia. Acalmando tal crise e ganhando tempo, o profissional da saúde pode ajudar a diminuir o risco suicida.
3. Rigidez/constrição: o estado cognitivo de quem apresenta comportamento suicida é, geralmente, de constrição. A consciência da pessoa passa a funcionar de forma dicotômica: tudo ou nada. Os pensamentos, os sentimentos e as ações estão constritos, quer dizer, constantemente pensam sobre suicídio como única solução e não são capazes de perceber outras maneiras de sair do problema.
Pensam de forma rígida e drástica: “O único caminho é a morte”; “Não há mais nada o que fazer”; “A única coisa que poderia fazer era me matar”. Análoga a esta condição é a “visão em túnel”, que representa o estreitamento das opções disponíveis de muitos indivíduos em vias de se matar. 
A maioria das pessoas com idéias de morte comunica seus pensamentos e intenções suicidas. Elas, freqüentemente, dão sinais e fazem comentários sobre “querer morrer”, “sentimento de não valer
pra nada”, e assim por diante. Todos esses pedidos de ajuda não podem ser ignorados.
Fique atento às frases de alerta. Por trás delas estão os sentimentos de pessoas que podem estar pensando em suicídio. São quatro os sentimentos principais de quem pensa em se matar. Todos começam com “D”: depressão, desesperança, desamparo e desespero (regra dos 4D). Nestes casos, frases de alerta + 4D, é preciso investigar cuidadosamente o risco de suicídio.
Existem alguns sinais que podemos procurar na história de vida e no comportamento das pessoas. Esses sinais indicam que determinada pessoa tem risco para o comportamento suicida. Portanto, deve-se ficar mais atento com aqueles que apresentam:
1. comportamento retraído, inabilidade para se relacionar com a família e amigos, pouca rede social;
2. doença psiquiátrica;
3. alcoolismo;
4. ansiedade ou pânico;
5. mudança na personalidade, irritabilidade, pessimismo, depressão ou apatia;
6. mudança no hábito alimentar e de sono;
7. tentativa de suicídio anterior;
8. odiar-se, sentimento de culpa, de se sentir sem valor ou com vergonha;
9. uma perda recente importante – morte, divórcio, separação, etc;
10. história familiar de suicídio
11. desejo súbito de concluir os afazeres pessoais, organizar documentos, escrever um testamento, etc.;
12. sentimentos de solidão, impotência, desesperança;
13. cartas de despedida;
14. doença física crônica, limitante ou dolorosa;
15. menção repetida de morte ou suicídio.
O que fazer?
• Ouvir, mostrar empatia, e ficar calmo.
• Ser afetuoso e dar apoio.
• Levar a situação a sério e verificar o grau de risco.
• Perguntar sobre tentativas anteriores.
• Explorar as outras saídas, além do suicídio.
• Perguntar sobre o plano de suicídio.
• Ganhar tempo – faça um contrato.
• Identificar outras formas de dar apoio emocional.
• Remover os meios pelos quais a pessoa possa se matar.
• Tomar atitudes, conseguir ajuda.
• Se o risco é grande, ficar com a pessoa.
O que não fazer?
• Ignorar a situação.
• Ficar chocado ou envergonhado e em pânico.
• Tentar se livrar do problema acionando outro serviço e considerar-se livre de qualquer ação.
• Falar que tudo vai ficar bem, sem agir para que isso aconteça.
• Desafiar a pessoa a continuar em frente.
• Fazer o problema parecer trivial.
• Dar falsas garantias.
• Jurar segredo.
• Deixar a pessoa sozinha.
Suicídio é um gesto de autodestruição, realização do desejo de morrer ou de dar fim à própria vida. É uma escolha ou ação que tem graves implicações sociais. Pessoas de todas as idades e classes sociais cometem suicídio. A cada 40 segundos uma pessoa se mata no mundo, totalizando quase um milhão de pessoas todos os anos. Estima-se que de 10 a 20 milhões de pessoas tentam o suicídio a cada ano. De cada suicídio, de seis a dez outras pessoas são diretamente impactadas, sofrendo sérias consequências difíceis de serem reparadas.

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