Enterros...

Alguns dias são como enterros... lúgubres!
Não que o sol não brilhe, não que não haja luz, não.
Mas não há vida.
São dias nublados, insossos... frios.
Gelados na alma como iceberg.
Funerais de lembranças... risos mortos... gargalhadas.
Soam tão distantes que parecem lendas!
Dias e dias de enterros vívidos de nós mesmos...
Coisas que não fizemos, que não dissemos
Que deixamos de concluir...
Dias inteiros desperdiçados de conclusões errôneas.
Palavras que pensamos mas que nunca pronunciamos
Funerais de esperanças frustradas.
Lágrimas de remorsos... lágrimas de tristeza
Das coisas que deixamos passar
Dos orgulhos que sempre impediram
Das frases que nunca ouviremos alguém dizer.
"Eu te amo", "estou com saudades", você é importante pra mim"
Dos reconhecimentos que nunca virão
Dos abraços perdidos
Dos beijos tão desejados.
Enterro de coisas que nunca existiram
Senão no inconsciente... senão nas ilusões.
Ou enterros simbólicos, mas tão doloridos, daquilo que foi um dia...
Dias mortos... dias frios... nublados de névoas densas
Como num mar revolto de emoções.
Lápides de com nomes, endereços, retratos... fatos!
Túmulos caiados, almas penadas de tanto sofrer...
Enterros de promessas, de viagens, de regressos, de cheiros, de olhares
Enterros de tudo e de nada!
E parece que um grande cemitério nos invade, 
Com ares putrefatos, com todos os odores.
E incineramos os cadáveres pouco a pouco
Digerindo cada dor, num universo paralelo 
Onde cada um teve a sua relevância
Mas que naquele dia, virou pó!


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