Envelhecer...

Envelhecer...
Como aquela foto sobre o móvel... amarelada pelo tempo.
Rugas que traçam linhas fincadas, tão fortes!
Memórias que se perdem ou lembranças que se atrapalham...
Movimentos não tão seguros quanto antes, tremedeiras...
Detalhes de uma vida inteira que se vão!
Bengalas, apoios, muletas...
Sabor de passado, tão distante.
Olhar não mais tão vívido...
Envelhecer... entardecer de uma vida.
Como os risos da criançada...
Netos, bisnetos, garotada.
Onde parece que nada mais se encaixa...
Onde estão todos os que conheceu?
Onde foram assim tão rápido?
A velha cadeira de balanço, range... range...
O tempo parece eternizado
Dias iguais, dias monótonos...
Dores, suores, ausência de vida
Ausência de cores.
Ossos fracos...
Poucas palavras, ninguém para falar.
Como uma moldura enfeitando o lugar...
Mãos calejadas, unhas tão curtas
Velhice na cara, velhice tão dura.
Envelhecer... perder a vida ainda que vivo
Ser parte de algo que não mais existe
Esquecido num canto,
Esquecido por todos.
Como roupa velha, dispensado.
Trocado por outras regalias.
Outros amigos, outras alegrias...
Como árvore que enverga
Como galhos que secam
Como folhas a voar...
E cada dia é como esperar menos um dia...
Até que a luz se apague, primeiro na alma e depois na carcaça
Do que se foi na vida...

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