Sobre o Que Fica...

Nem tudo depende de nós...
Existem escolhas conscientes, onde podemos opinar, decidir, definir quando, onde e como.
E existe aquele momento em que a única opção é seguir o fluxo.
Assim como o nascer do sol, o nascer da lua, as corredeiras de um rio, a morte... não há como interferir, dar a sua versão ou atrasar o relógio.
As vezes tudo o que temos é seguir caminhando, mesmo sem saber para que lado estamos indo ou se o campo é minado.
A vida designa, institui, determina.
Ciclos se fecham e se iniciam... 
E o medo do novo é inevitável, pois toda mudança causa receio.
Mas como transformar se não houver ousadia?
Lagartas não voam sem que antes criem asas...
Nem tudo está em nossas mãos; Não!
Existe aquele momento em que as coisas tomam rumos próprios, num giro, num piscar de olhos, num simples até já!
E tudo que pensávamos ser estável se modifica. Deixa de ser, deixa de existir.
E somos obrigados a nos adaptar, a sobreviver como dá!
O que resta são lembranças... 
O sorriso do filho, o primeiro emprego, as lutas, as desavenças, as decepções!
E como dói saber que nada será como antes...
O tempo se encarrega de acelerar os dias, prolongar as noites.
E tudo que se tem é a si próprio... nada mais.
As roupas encurtam, apertam, rasgam, são deixadas de lado, são doadas, queimadas...
O riso fica mais contido, as atitudes não tão espontâneas, comedidas...
O pensamento é mais centrado, o andar sem tanta pressa...
As transformações vão se alojando dentro de nós.
Aumenta a nossa concepção do que é o amor, de quem nos ama, do que nos faz feliz, do tempo que perdemos, do nunca vai acontecer...
As vezes fica o gosto amargo na boca, o nó persistente na garganta, mas a verdade é que um dia nos deparamos com o nosso reflexo no espelho...
Com todas as nossas reentrâncias.
E tudo muda de ótica... adquire novas versões, outros ares.
Quanto tempo o tempo leva para não deixar que o tempo passe rápido demais?
E nenhuma encruzilhada é mais amargo que a falta de amor...
E falo de um amor que deveria ser incondicionalmente recíproco, mas que se perde no vento, como areia no mar.
Alguns abortos não incluem úteros, apenas um cordão umbilical que se rompe sem que o vejamos. Alguns abortos são apenas de sentimentos, de adeus que não se diz, de palavras engasgadas por dias e anos afins.
E estando só, nos reencontramos... mesmo que despedaçados...
E neste momento só temos uma escolha: Reinventar-se!
Não há lágrimas que retome o que reside no imaginário... não há vida sem história pra contar.
Seguir  e apenas seguir o fluxo é o que a vida nos permite fazer...
E que venham outros sonhos, outros amores, outras formas de amar.
Nem tudo serão flores, nem tudo serão espinhos...
Fica a memória de um dia, numa fotografia qualquer para eternizar.

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