E Quem Entenderá?

E quando não nos encontramos na multidão?
E quando os silêncios são tão barulhentos que não podemos suportar?
É como uma fagulha num incêndio, onde tudo se confunde em fumaça, perdendo a orientação.
São tantos rostos sem identidade, tantas pessoas que nunca saberemos as histórias... fracos e fortes, ricos e pobres, homens e mulheres num só espaço.
E é como se não fizéssemos parte de nada.
Paredes nuas, espaços crus...
E as vezes um rabisco diz tanto que parece um amigo íntimo que tudo sabe e tudo vê.
Palavras engasgadas, gritos que não ecoam, solidão, solitário, só!
Não há com quem trocar farpas, experiências, conversas, risadas.
O som da própria voz soa estranho.
Uma enxurrada de sentimentos tomam conta... saudade, tristeza, vontades infinitas de repetir tudo o que foi bom...
E a constante presença de ausências antes nunca sentidas, vão ficando dentro de nós.
E entre tantas idas e vindas, ninguém se conhece.
Frases soltas aqui e ali, fraguimentos de vidas, ignoradas
Minha própria história, desconhecida.
Um rosto estranho entre tantos outros... pedaços de alguém.
Um suicida em potencial, talvez não do corpo, mas em sua alma tão desprovida de contato.
Falta o ar, sobra nós empedrados na garganta... E quem entenderá?
Não há como explicar devaneios de quem não se entende, de quem não se encontrou , de quem está a beira de um abismo.
Lágrimas ameaçam rolar... sufocantemente quentes.
Dizem que são as mais dolorosas...
Talvez seja auto piedade, talvez seja só desespero... talvez nem seja nada!
O fato é que quando estamos perdidos dentro de nós mesmos o mundo é uma grande ameaça.
Não são as rugas que assombram ou o fatídico dia da morte, não!
É apenas a certeza de que poderia ter havido mais em tudo que viveu e conheceu, que poderia ter feito diferente ou que sequer houve tempo para arrependimentos.
São constatações que não levam a lugar algum, mas que ficam latentes dentro da gente.
Pulsam o tempo todo em pensamentos cada vez mais estranhos.
E quem entenderá?  
Dias e noites que perturbam o inconsciente.
Palavras desconexas, peito arfante, sonhos nebulosos, sustos noturnos...
Vão dizer: "Pobrezinha! Era tão jovem..."
Pois quem morre sempre tem áurea de vítima ou herói.
Choram os filhos, os amigos e até os inimigos ficam brandos...
Mas em vida ninguém se importou...
Os repetidos pedidos de socorros nunca foram compreendidos.
O telefone nunca tocou...
E com o passar do tempo, o esquecimento apaga qualquer vestígio disso tudo.
E quem saberá contar a história?
O mundo atropela os frágeis, engana os fracos e engole os inocentes...
A vida não vem contada em prosa e verso, com todas as pontuações que se deseja.
E quando não conseguimos mais nos identificar num reflexo de espelho é porque já deixamos de existir...


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