Enterro....

Não tenho arrependimento do bem que fiz, não. Nem poderia,  pois dar de si mesmo é uma dádiva.
Mas arrependo-me das vezes em que fechei os olhos, ceguei a alma, tranquei os ouvidos e permiti que me ferisse.
Carreguei lágrimas nunca derramadas, soluços contidos, palavras engasgadas... Pela ilusão de pensar que assim teria amor.
Fui conivente com a dor,  até que ela gritou de forma que não houvesse mais como esconder.
Abriu tantas feridas...
Mesmo assim não me arrependo.
Dei o meu melhor, fiz o que pude, errei e acertei como qualquer ser humano.
Hoje vejo tudo sem máscaras...
Percebo os detalhes que deixava passar por temer a perda.
Mas como se perde aquilo que na verdade nunca existiu?
Se não há interesse sempre sobrarão desculpas.
Os fatos sempre disseram aquilo que os olhos sempre se negaram enxergar.
Mas o bem que fiz e o amor que eu dei, foram íntegros e por isso não os reivindico.
Enterro aqui o afeto, ficando sim, com algumas lembranças, mas conscienciosamente de que os que não sabem amar sequer saberão quem os amou de fato.
Enterro as lástimas, as angústias,  as preocupações,  os risos tímidos...  Tudo.
Pois não quero arrepender-me de poder contar uma história diferente. E nesta lápide tão fria que hoje encerro o nosso enlace, escrevo em auto relevo que o que morre é tão somente aquilo que nunca floresceu.
Descanse em paz, se é que consegues entender o que isto significa.
Descanse, pois eu não me arrependo de partir.

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