Incógnita!

Rasgo-me em traços rabiscados num pedaço de papel
Folhas e folhas em branco, cheias de sombras do que um dia eu fui
Metade de sonho, desespero e desencontros,
Feridas antes saradas e que hoje tornam a sangrar!
Seria fácil e cômico se não fosse tudo tenso...
Entre lápis, canetas e giz... entre mundos, entre fundos...
Num girar constante de mim.
Vão dar nomes, rótulos e críticas
Vão achar que podem dizer o que quiserem, e podem!
Pois não sou versada nas palavras alheias, não!
Sou eu, sou tudo o que eu quiser e puder ser.
Vivo de cada letra que consigo formar em frases...
Não me chamem de poeta, não me chamem de nada.
Deixem-me ser apenas o que ainda não tenho como classificar.
Esqueçam os esteriótipos arcaicos e que tanto segregam a todos...
Descubram-me aos poucos... bem devagar...
Vão bebendo de mim em minúsculas e consoantes
Deixando que o veneno penetre bem as entranhas.
Eu perco a razão, mas nunca os sentimentos
Sou visceral, reconheço.
Sangro nas linhas como quem sofre ardentemente por nada
Sangro por dias... talvez desde o dia em que nasci
Sangro abertamente.
Desfiro cada golpe como quem vive aos gritos.
Entre tantos travessões, encontro tão poucas respostas...
Sou incógnita!


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