Enigma

Eu quero sempre a dose mais forte da vida
Seja em dias de chuva ou ensolarados
Seja em qualquer ocasião, pois não saberia viver em pequenas dosagens.

Quero sentir. Soprar todas as ventanias,
Poder sentir os cabelos na cara, sim!
Quero me descabelar e sorrir
Pois não saberia viver de modo a não experimentar a bagunça.

Quero perder-me nos verbos inconjugáveis
Poder sangrar todas as verdades
Poder desdizer o que nunca disse
E nos emaranhados das palavras, nada dizer.

Não quero ser compreendida, não!
Que graça teria ser tão normal?
Sinto-me complexa, sem eira e nem beira
Num cadafalso de labirintos em mim.

Quero o infinito, as incertezas, as quebradas
Ser inteira e não ser nada.
Poeira que não se vê, vento que apenas sopra
Um ponto no Universo, um ser sem  explicação.

Permita-me ser o que sou
Sem mais, nem menos,
Mas absolutamente indecifrável.


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