A Dor da Alma

"Não dói o útero e sim a alma!" Palavras da adolescente de dezesseis anos estuprada por mais de trinta homens numa comunidade do Rio de Janeiro...
E o quanto dói, só quem viveu sabe dizer.
Vivemos numa sociedade machista e hipócrita que culpabiliza as vítimas em detrimento de conceitos ultrapassados e que com isso, ajuda ao crescimento da impunidade. O trauma sofrido não será esquecido, mas o caso em si corre o risco de cair no esquecimento, virando mais um caso para as estatísticas.
A cultura do estupro é essa: minimizar o crime, responsabilizar a vítima e deixar que o assunto caia no ostracismo até que um novo caso aconteça e volte-se a falar do problema.
Mas e a vítima? Quantos atos de repúdio serão capazes de apagar da sua alma a dor da humilhação?
Quantas justificativas para condenações medíocres poderão lhe dar conforto?
Quantos anos até que se consiga viver sem o peso das humilhações sofridas?
A vergonha, o medo, as noites sem dormir...
As dores do corpo cessarão! Marcas poderão ser atenuadas, mas a dor da alma sempre existirá!
Precisamos pensar nestas coisas como seres humanos e combater como verdadeiros gladiadores do bem comum.
O resgate da auto estima levará anos, num processo diário de reconstrução de si mesma. Ninguém saberá dizer quando os lábios estiverem sorrindo, se a alma estará sorrindo também.
Os monstros podem ser punidos, e creio que serão; mas o ferimento continuará sangrando a cada novo caso que ficar impune, a cada nova lembrança.
É chegada a hora de unirmos forças e darmos um basta nisso. É inaceitável que continuemos assistindo de camarote este tipo de atrocidade. Estupro é crime e deve ser tratado como tal.
Nenhuma palavra que dissermos poderá ser mais eficaz para trazer consolo as vítimas do que: BASTA!




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