O Estupro e Você

Na cultura machista e patriarcal, a violência sexual vem sendo historicamente utilizada como forma de punir todas as mulheres, notadamente aquelas que buscam vivenciar livremente suas escolhas, sua autonomia e exercer o controle sobre sua própria vida, seja no espaço público, seja na esfera privada. O estupro de mulheres, configura-se deliberadamente como um instrumento de propagação do terror que, frequentemente usado durante as guerras, simboliza a vitória ou o fracasso dos guerreiros que sequestram e tornam os corpos de meninas e mulheres territórios de realização da virilidade a serviço das economias, da honra, da limpeza étnica e do poder. 
Num contexto onde os direitos das mulheres são constantemente violados, em que o país amarga índices alarmantes de violência de gênero e, onde muitas mulheres e meninas são cotidianamente assassinadas, estupradas, com ampla divulgação na mídia, com requintes de crueldade, a exemplo dos estupros coletivos, constata-se o ódio de gênero contra as mulheres.
A cultura do estupro é uma realidade mundial e se caracteriza por objetificar o feminino, amenizar casos de estupro, vitimizar os agressores e rotular as mulheres pela roupa que usam e por sua liberdade sexual. Assim a sociedade desumaniza a vítima ou simplesmente ignora os horrores do estupro. Esta tradição cultural revela os mecanismos duma triste realidade, de forma que a ignorância sobre o assunto ainda é chocante, mesmo que vivamos na chamada “era da informação”.
“Não vista roupas curtas”, “não faça contato visual com estranhos”, “não dê muita atenção aos garotos”, são algumas das recomendações mais comuns às mocinhas que acabam de entrar na puberdade. Enquanto isso, muitas vezes os pais ensinam a seus filhos a serem “machões” e a controlar a situação quando o assunto é meninas. Algumas anedotas sobre o comportamento feminino contam que quando uma mulher diz “não”, na verdade está dizendo “sim”. Ou então o “não” feminino é, na verdade, “talvez”, pois as mulheres supostamente gostam de se fazer de difíceis e por isso os homens devem coagi-las até que cedam. Este tipo de pensamento corrobora para que o rapaz interprete o “dicionário feminino” como queira, avance e faça sexo forçado. Desta forma, ensinam suas filhas a não serem estupradas – algo que não podem evitar –, mas não ensinam seus filhos a não estuprar, o que deveria ser primordial numa educação sadia.
A Organização Mundial de Saúde revelou que pelo menos 140 milhões de mulheres já foram submetidas à mutilação genital feminina, ato no qual retiram o clitóris da mulher para que ela não sinta prazer sexual. No Paquistão, em 2012, centenas de mulheres foram mortas por “crime de honra”, sendo que a maioria foi executada, mesmo sem provas, por supostamente fazerem sexo fora do casamento. Outras centenas foram mortas porque casaram sem o consentimento da família. Mas estes problemas não estão tão distantes. Na Colômbia a moda agora é jogar ácido nas mulheres. Por dia dezenas destes casos são registrados em Bogotá. 
No Brasil, os números relacionados a estupro e outros tipos de violência são assustadores. Por dia, 16 estupros ocorreram em média no estado do Rio de Janeiro em 2012. Parece pouco, mas outro estudo mostra que 6 em cada 10 brasileiros conhecem pelo menos uma vítima de violência doméstica. As causas principais apontadas neste estudo para a contribuição da violência contra mulher são machismo e alcoolismo. Outra pesquisa assinalou uma realidade ainda pior: uma em cada cinco mulheres já sofreram algum tipo de violência.

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