Causa Mortis

Eu tenho morrido todos os dias...
Cada dia um pouco mais.
Morro nos olhares que não trocamos
Nas palavras embutidas em silêncios
Nos constrangedores momentos em que nos permitimos dizer!
Tenho morrido nos sorrisos oprimidos
Nas longas noites de frio
Tão perto e tão longe de você...
Nas vezes em que o sol se põe e nada acontece
Nas paredes opacas do tempo perdido
Nas flores que aos poucos perdem o viço!
Tenho morrido todos os dias...
Nos muitos nós na garganta, calado
Como quem está num canto acuado
Observando você ir e vir!
Os olhos já não contemplam
Somos estranhos num ninho vazio...
Quantas chances nos demos?
Quantas vezes foi preciso dizer que sim?
E tudo seria menos doloroso
Não fosse essa certeza...
Da morte correndo nas veias
Do que fomos, do que somos e do que não chegaremos a ser...
Sim, morro todos os dias em silêncio
Pois as palavras perderam o sentido.
Não há diálogo disponível a quem não quer ouvir!

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