Indivisível

Eu quero dizer umas coisas... depois de três meses de silêncio.
Andar de mãos dadas não significa presença.
E um amor pra ser sincero basta ser sentido.
E talvez eu nem saiba como dizer isto...
Ou seja você, que sempre prefere ouvir em palavras o que só consigo exprimir nos gestos.
O fato é que eu não amo senão por atitudes
Não consigo transmitir mero conforto no encontro dos fonemas e formações de frases
Eu me desmembro em reciprocidades...
Vou pela alma. Voo pela alma...
No descuido desesperado de me doar.
Num total desassossego e num enlace maior que o de mãos.
Num compromisso de uma vida inteira de construção.
Não vejo, não concebo o amor a primeira vista, imediato.
Vejo como um ninho, que se faz a cada detalhe... e que por vezes necessita de reparos.
Vejo o amor com rugas, falhas, e rasuras... inverso aos versos dos poetas.
Mas, tão profundamente que descarta explicações.
Nada que consiga explicar vale a pena, quando o que pulsa explode na alma.
Vejo o amor num descontentamento... aquele aceno perdido no portão.
No reencontro, nas décadas, num abraço de irmãos.
Eu o vejo com os meus olhos e talvez eu não o saiba descrever
por somente sentir, o que tu preferes dizer!
Classifica-o por metáforas, reticências e tal...
Eu, apenas sinto!
E nada tem a ver com enlace de mãos...
Pois, sinto o enlace de almas, tão intrínseco que nada dissolve
Onde tudo que se é; é somente o que se sente.
Eu sou excêntrica! Vão dizer...
Talvez eu seja só estranha...
Mas, tenho alma transgênica. Amante de vários pólos!
Não posso ser rotulada pelo mais simples, por reconhecer minha complexidade
E louco é definir o que se sente
Se vejo o amor, eu o sinto!
E sentir é o que de mais complicado pode ser
Eis que o ser humano ainda resiste!
Vejo o amor como um grão... na reciprocidade do chão
Que o faz brotar e florescer!
Sou amante... deste amor descabido.
Ora tão desmedido, que ouso aqui descrever
Nada em mim é mais puro que isto.
E nada mais importa senão viver o que se sente
Então, não me interprete mal...
Se o que sinto é diferente do que ouço dizer
Mas, como amante indivisível, ouso aqui deixar saber
Que o enlace mais divino é o amor que faz crescer!


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