Sequelas do 8 de Março!

O dia oito de março passou... Dia Internacional da Mulher! 
Teria sido mais uma data comemorativa, não fosse o "Bela, recatada e do lar! repetido descaradamente no discurso presidencial, embora disfarçado com outras palavras, mas no mesmo tom machista e patriarcal dessa velha e hipócrita sociedade em que vivemos.
O discurso virou piada internacional.
Mas olhando mais atentamente, fico me perguntando a respeito das sequelas disso. 
Durante muitos anos, aceitamos este modelo familiar como ideal e aquelas que ousaram sair dos padrões pagaram o preço por sua rebeldia. 
Hoje, século XXI, num mundo globalizado e tecnológico pensamos e avançamos em direitos e oportunidades... mas então, surge a moça queimada viva em ritual de exorcismo religioso na Nicarágua... um vilarejo perdido na selva, sem presença do Poder Público, onde a miséria é palpável e a religião impõe suas leis.
Outra notícia que choca é saber que a cada quatro minutos uma mulher foi agredida no Rio de Janeiro no período do Carnaval.  O Estado de São Paulo registrou um estupro por hora no ano de 2016, segundo dados da secretaria de segurança Pública.
Se na Nicarágua o Poder Público não chega, no Brasil o Poder Público não basta!
No ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa o quinto lugar no ranking dos países onde mais se matam mulheres no mundo. Segundo estudos do Ipea, a cada ano, em média, aqui são assassinadas cinco mil mulheres. 
E o mundo, que está se tornando um lugar cada vez mais inseguro para todos, é mais cruel ainda para com as mulheres. 
A Rússia, governada pelo ex-chefe da KGB, Vladimir Putin, aprovou uma lei que despenaliza a violência doméstica, sempre que a agressão não causar danos à saúde da vítima – ou seja, investidas que provoquem “apenas” dor física e deixem marcas ou arranhões não são mais crimes na ex-União Soviética. Só quando o agressor voltar a bater no mesmo familiar poderá ser processado, mas unicamente quando o agredido conseguir demonstrar os fatos, porque a justiça não atuará nestes casos. O mais trágico nisso tudo é que os autores do projeto que tornou-se lei são mulheres – duas deputadas e duas senadoras do partido de Putin.
Esses são alguns exemplos de como o machismo pode ofuscar nossas conquistas... o retrocesso está a galope em escala mundial. Muito embora haja militância e gritos de liberdade e igualdade, ainda estamos a meio passo da caminhada.
Cada vez mais é necessário educar e conscientizar a mulher e o homem. Não adianta somente punir. Temos que erradicar o mal pela raiz, através de políticas públicas educacionais efetivas e de base, para criarmos a sociedade justa e igualitária que tanto idealizamos.
O discurso do Presidente Temer é apenas a ponta do iceberg. As sequelas disso veremos estampadas nas manchetes das páginas policiais...
Não se enganem com discursos feministas onde a teoria é muito bonitinha! Não!
Analisem o contexto da História feminina através dos tempos e percebam que a nossa luta é diária. 
Tudo isso que lemos nos jornais e vemos nos noticiários de tv é um reflexo do machismo impregnado por anos na educação entre meninos e meninas e que muitas das vezes, nós mulheres ajudamos a perpetuar.
Por este dia oito de março, gostaria de deixar a reflexão de onde estamos e para onde estamos indo como dever de casa. Não adianta meia dúzia fazer greve e ir para as ruas em protesto, se uma dúzia aplaude palavras de misoginia, machismo e preconceito.
A mulher está cada vez mais consciente de que precisa ocupar espaços de Poder, mas ainda não uniu forças para conseguir seu intento. Enquanto isso, muitas são as que perdem suas vidas pela inércia do Poder Público, pelo machismo institucionalizado e pela indiferença de suas iguais.

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