Ego e Felicidade

E não foram felizes para sempre!
Nos desencontros premeditados. 
Nos agressivos devaneios 
Nas batalhas do ego.
Não foram felizes devido aos mármores e granitos do banheiro... tão belos quanto frios!
Não foram felizes pela falta de compaixão a dor do outro... insensíveis e egoístas, míopes admiradores do próprio umbigo. 
Empenham-se num acirrado cabo de guerra.
Vivem de extremos. 
São presas fáceis de egos inflamados e cegos.
Não foram felizes por terem objetivos diferentes.
Por manterem a mesma postura diante de situações que se repetem. 
Por insistirem em olhar em direções contrárias.  
Por não estar a disposição do amor.
Vale mais o debate, a cozinha gourmet... o novo carro, a conta bancária. 
Vale mais o debate desgastante do que  aceitar o pedido de desculpas do outro. 
É preferível ferir. 
Não querer saber da saúde do outro porque é conveniente não saber. 
E querer que o outro perdoe tudo é somente demarcação do poder.
Não foram felizes para sempre nem poderiam... nunca o seriam.
Viviam num cabo de guerra!
Cultivavam o que fomentava o drama, a dor, o desassossego.
E criam que o outro suportaria tudo. 
Eram amantes de si mesmos. 
E haja mármores e granitos para enfeitar as lápides do que ficou pelo caminho. 
Não foram felizes juntos e nunca seriam.
Pois eram  infelizes sozinhos. 
E tentaram juntar-se muitas vezes, mas o elo era partido.
Nas emendas saturadas das mágoas nunca esquecidas, nos tumultos  orquestrados e desgastes conhecidos.  
Eram viciados no vicioso ciclo do ir e vir, agindo como se tudo estivesse zerado.  
Não foram felizes para sempre... não tiveram a coragem.  
Mantiveram as vendas nos olhos e andaram como cegos perdidos num tiroteio. 
Eram néscios.  Pessoas cheias de si mesmas 
Não sabiam doar. Eram superficiais. 
Não conheciam o outro. Nem queriam de fato conhecer. 
Estavam ocupados preenchendo cheques, pagando cartões.  
Eram tão bem sucedidos que não sabiam que seus pés podiam andar.
Eram dependentes.
Tinham cordões umbilicais de ponta... usurpavam o moderno e tecnológico do mundo, sem conhecer a vida. 
Eram indiferentes. 
Pessoas robotizadas e mascaradas de risos. Falsetes de uma música desafinada e velha.
Com notas desalinhadas e de gosto duvidoso.  
Eram sementes que não brotam, independente do chão.  
Pessoas espinhosas e que num abraço não se enlaçam, por serem pontas; espetam.
Não foram felizes para sempre!
Nunca serão!
Por serem fartos de si, não vêem o outro senão o que querem.
São pessoas que refletem o ego e não suas silhuetas.
Fracas e opacas. Sem cor.
Gente que enfada. Ego que infla. Gente rasa.

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