Suposta Saudade...

Tenho sentido uma suposta saudade
Daquilo que suponho deveria ter sido
Nos complexos reflexos irrefletidos
Daquilo que sonhamos viver.
Nos inversos versos incompreendidos
Que num inverso de sonhos esquecidos
Nunca saberemos dizer.
E uso de palavras esquisitas
Num desalinho de parágrafos vãos
Para que não entenda nas entrelinhas
As saudades tão suas quanto minhas
Que palavras  nunca lhe dirão.
Tenho sentido saudade de um som,
Antes presente; entre muitas noites e dias quentes
Um som de risada feliz que era a gente
Talvez nunca tenhamos ouvido isso
Talvez tenha sido somente ilusão
Coisas que a mente inventa
Para alegrar o coração.
Tenho sim, sentido saudades
Das supostas viagens que nunca faremos
Dos descasos, embaraços, distrações
Daqueles planos loucos e sem sentido,
Cheios de riscos e tentações
Talvez seja apenas um traço do triste fiasco
Que fomos eu e você...
Ou quem sabe seja  a mente,
Que traiçoeira, vem dizer...
Que tudo ainda insiste no inconsciente
Do que queríamos ser.
Essa suposta suposição de saudade
Talvez queira outra dose mais forte
Ou só está usando de maldade
Para aprofundar o corte.
Só sei que ouço vozes...
De um passado muito presente
De sonhos ainda sonhados
Que fica atiçando a gente
Como quem tenta um pobre coitado.
Essa saudade, supõe possibilidades
As quais deixamos de tentar
Por termos tentado tanto
E por não ver realizar
Acreditamos menos nos sonhos
Cansados de tanto tranco
Pensamos mais no azar
Abraçamos os desenganos e deixamos de amar
Mas se o amor a tudo supera
Quando o amor só quer sonhar
Vivencia o sonho nos lábios
Da boca de quem quer beijar
Tenho sentido saudades...
Suposta saudade não sei de quê
Se quando perto não há coragem
Dessas palavras poder dizer
Talvez seja só saudade
Nem tanto de mim, mas de você!

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