Sozinhos

Tem coisas que passamos em silêncio, sozinhos.
Num reconhecimento quase que mortal da nossa incapacidade, em não ter como mudar o que não está em nossas mãos...
Ficamos mudos.
Talvez reféns de um medo que não tem explicação.
E como explicar que os dias serão encurtados? Que nos despedimos a cada dia um pouquinho...
Nascemos sabendo qual será o final, mas nunca estamos preparados.
A sensação da inexistência é um grande castigo para quem ama a vida.
E todos nós, um dia passaremos por isto.
Não saberemos mais como é sentir o vento na pele.
Não poderemos contemplar o voo solitário do pássaro.
Não sentiremos o abraço daqueles a quem amamos e com quem convivemos.
Seremos uma lembrança nas memórias de alguém, nada mais.
E nós... nós seremos pó! Poeira cósmica em alguma parte remota do Universo!
É a tão esperada volta para casa...
E partiremos com muita saudade do que vivemos e do que nunca iremos saber como é.
Tem coisas que passamos mesmo sozinhos...
Sentimentos que nunca diremos a ninguém, não por egoísmo, mas porque nunca entenderiam.
Ficamos na contemplação de nós mesmos.
As vezes é melhor não saber o que dizer, do que falar daquilo que sequer temos como explicar.
A vida é linda... a vida é um presente que infelizmente exige devolução...
Este sonho um dia acaba, do nada, num piscar de olhos. E já não há mais como retroceder!
Levamos o que sentimos, o que vivemos, o nosso permanente companheiro de todas as horas: nós!
Seremos apenas um corpo que entrará em decomposição, numa pele fria, envolto por flores as quais não poderemos admirar. Estaremos então, sozinhos!
Apaga-se a luz da vida e dizem alguns, reacende num outro lugar.
Quero crer tão somente que seja onde for este lugar, seja de tão belo esplendor que valha a pena a partida.

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