Embriaguez

Os meus olhos enevoados
Na embriaguez de te ver...
Para que serve a lucidez
Senão, para fazer sofrer?
Ando em passos trôpegos
Num zig e zag de não sei o quê
Bêbada, sem direção
Num desvairado descompasso
De ouvir você dizer

Vozes que não sei de onde
Surgem para me atormentar
Dizendo o que não quero ouvir
Num desiludir de não alcançar
Os passos que somem à frente
Em constantes ausências
Como num breve piscar!

Ando embriagada
Numa louca velocidade
Onde me perco em cada estrada
De braços frios como a eternidade
Num emaranhado de palavras
Que nada dizem, somente ecoam.

Num mundo líquido, entre gins...
Fujo de tudo, até de mim.
Não me deixo em qualquer esquina
Não me abandono na calçada
Bebo com a classe das meninas
Loucas, santas, vadias, cansadas
De olhos vendados.
De saias curtas
Tão verdadeiras como qualquer uma

Afogo minhas mágoas!
Todas elas...
Nesta infinita aquarela multicor
Onde não vejo ninguém
Somente você
Nas imagens distorcidas
Dos meus olhos embevecidos

E viajo em ondulações de imagens desconexas
Num caleidoscópio torturante
Onde o irreal é absoluto.

E me perco no teu sabor adocicado
Sentindo o calor a me queimar
Devassa, faceira, tão quente
E me acho...

Lucidez pra quê?
Se tudo o que eu quero
É na minha embriaguez
Abraçar você...
São nos meus olhos enevoados que
Absorvo o gole do teu beijo
E durmo no soluço embriagado
Sentindo entorpecida, o teu cheiro!

Bendita, amada, companheira, descarada... cachaça!

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